Um desabafo de Linda, nossa nova voluntaria que ainda tenta se libertar da Bulimia!


(Sim, adoramos o texto e resolvemos abrir um espaco inedito aqui no Blog junto com a AAMICAS, vamos ajudar nossa voluntaria tambem, desabafar e poder dividir a propria historia e' muito magico!
Seja bem vinda a equipe do MIA BULIMIA Linda! )


Não sei se consigo escrever (e descrever) pelo o que eu passei ontem...mas de fato, foi difícil.
Chegando em casa, depois de um dia inteiro no trabalho, estudo, compromissos e por fim, academia, fui jantar. Conforme orientação da nutricionista o jantar pós treino é: proteína + salada (como todos os dias os quais chego da academia).

Fui me servir e tinha carne de soja, legumes, salada...fiz meu prato e vi em uma panela em cima do fogão que tinha arroz. Pensei: "só um pouquinho de arroz não faz mal...", me servi, e sentei para jantar.
Jantei e pensei: "Nossa, que arroz gostoso, acho que vou comer mais um pouquinho..." e me servi, pela segunda vez. 

Na terceira vez eu já não me servi, fiquei ao lado da panela comendo com a colher..."hum, tá gostoso..". Fui para sala. Pensei que estava tendo uma compulsão naquele momento e que eu deveria me controlar...afinal, era arroz. Arroz nosso de tanto santo dia (que por não achar saudável, muitas vezes troco por integral). Na quarta vez, em uma cena para lá de humilhante, arranquei aqueles blocos de arroz ("unidos venceremos") que ficam grudados no fundo da panela e comi, comi, comi e pensei que iria vomitar. Mas lembrei que estou há aproximadamente três meses sem vomitar e que não deveria fazer isso. 

Desesperadamente liguei para o meu namorado ("o" anjo da guarda) e pedi para ele vir para casa, eu estava sozinha. Me encolhi na sala e fiquei no telefone com ele até ele chegar.

Foi DESESPERADOR. A vontade de vomitar era quase que incontrolável, chorei, puxei meu cabelo, quis me enterrar em um buraco e nunca mais sair. A pessoa que estava lá, puxando os cabelos na sala, não é a mesma que vos escreve hoje. A vontade, a abstinência, a necessidade de vomitar eram tão grandes, que eu estava descontrolada.

Quando meu namorado chegou, me abraçou e ficou me acalmando...e eu disse que eu tinha vergonha daquela situação. Porque eu tenho mesmo. Chorei, gritei, quis morrer, e passando o tempo, a raiva e a vontade foram passando. 

Entrei no banho, chorei mais um bom tempo...e a essa altura eu já nem sabia mais o porquê de estar chorado...se era por querer vomitar e não poder, se era pelo simples fato de querer vomitar, se era porque eu achava que eu engordar com o tanto de arroz que eu comi...sei lá...
Depois do banho, me enterrei na cama e só sai de lá hoje pela manhã.

O meu namorado me fez uma observação que eu achei interessante: Será que eu não me sentiria pior se eu tivesse vomitado? A sensação de fracasso, humilhação e tudo de ruim, iriam voltar. 
Mas também, em contrapartida, não me sinto feliz por não ter vomitado ontem. Não sei explicar o sentimento...é algo muito dúbio. Enquanto me faz bem não ter feito, eu queria ter feito.
E outra coisa interessante...o ato de vomitar faz tão parte de mim que eu não penso que eu vou engordar por não ter vomitado. Eu sinto falta de induzir o vômito simplesmente por induzir o vômito. Assustador, né?!

Foi um hábito adquirido por anos e anos e agora não consigo me desfazer dele. 
As sequelas da noite de ontem ainda estão em mim. Ainda me vejo humilhada encolhida na sala. 
Eu sei que nem todas que passam por isso tem um Anjo na vida, como eu tenho o meu namorado. Mas, a partir do momento que decidirem vencer essa doença, contem para alguém que não vá julgar vocês. Que não achará que é frescura. Alguém que em um momento de crise, vocês vão poder pedir socorro.
Ontem, se eu não tivesse o meu namorado, não sei o que eu faria. Se eu não vomitasse, acho que acharia outro meio de me autoflagelar.
De qualquer modo, esse depoimento é para mostrar que os meus quase três meses sem vomitar não tem sido nada fáceis. Não é a primeira vez que tive uma crise dessa e nem será a última. Porém, pior que enfrentar esse tratamento é conviver com essa doença que nos maltrata (por dentro e por fora) eternamente.

Eu decidi vencer. E você? 
Ass.  Linda.

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