2. Dependencia Psicologica.


Era uma vida dupla, muitas vezes eu abria mão de sair com minhas amigas pra devorar uma lata de leite condensado e me libertar depois da culpa, das calorias e dos desprazeres da vida no banheiro de casa.

Os minutos passavam, a mão suava, com o passar dos anos, meu metabolismo começou a funcionar tão devagar, que eu era capaz de guardar algo na barriga por 2horas antes de começar a disgestão, ou melhor, antes de vomitar.

Os truques para disfarçar o disturbio também melhoraram, como minha família já estava ciente da minha situação, eu muitas vezes escolhia um toillete fora de casa, ou vomitava em sacos plásticos e os escondia no armário para me desfazer deles depois no lixo.

Quando saia para comer com os amigos, eu me limitava a pratos pequenos, ou apenas doces. Fingia estar saciada com um décimo do que eu comia escondido. Fingia ser alguém normal, mas ficava contando as horas de voltar pra casa e devorar dois pacotes de bolachas. E isso se tornou o meu prazer, o meu extase, meu vicio.

Sim, vício, não existe palavra mais verdadeira que descrevia minha situação, eu virei escrava daquele ciclo, eu sentia nescessidade de fazer e repitir isso todos os dias. Meu corpo implorava para ser saciado, estufado e aliviado logo em seguida. Existem muitos viciados que não são dependentes químicos. O vício no sexo, o vício no jogo, o vício por uma pessoa, e milhões de tiques e manias que são classificados como TOC (transtorno obcessivo compulsivo), e é claro, a bulimia.

Eu não sei ao certo quando algo que fazemos com frequencia se torna um vício, mas sei que uma vez dentro do ciclo é muito difícil sair. A sensação é de que instalaram um chip no meu cérebro e por mais que eu sabia da gravidade do ato, meu corpo pedia por aquelas sensações de prazer e alívio. As tentações sempre eram mais fortes, e como vários viciados eu também passei por inúmeras tentativas frustradas de “Essa vai ser a última vez”.


Texto de . Potira Marie @copyrights reserved

Comentários

  1. Obrigada pela partilha. É muito importante que as pessoas tomem consciência desta realidade, e deixem de preferir gerir as regras do jogo, que é a vida, por tabus. Pois há cada vez mais pessoas a precisar de ajuda e a sofrerem sozinhas por distúrbios alimentares, nomeadamente a penosa bulimia que é um dos que pode passar mais despercebido e assim, durar sem ninguém se aperceber e poder tomar o passo de ajudar aquele que precisa de ajuda e não pede, pois não sabem.

    Muitos Parabéns. Tudo de bom no seu novo e brilhante percurso.* Até breve e novamente obrigada.

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  2. Este post resume oq eu sinto... Me sinto tão sem força para lutar, apesar de sonhar em não ter mais a bulimia... Eu gostaria de ter mais fé de que as coisas podem melhorar, basta eu me esforçar, mas me falta animo até para cultivar esperanças.
    Não tenho depressão, mas tenho inumeros momentos de culpa seguidos de uma tristeza e uma vontade de sumir. é triste saber que vc tem um problema sério, que depende de vc resolve-lo, mas simplismente ficar se engando!

    Obrigada pelo blog!

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  3. Olá, estou tentando lutar contra esta inimiga que é a bulimia. Só consigo pensar em comida e esta semana como estou de ferias ja engordei 2 quilos isto porque eu tento vomitar mas já doi tanto que nao consigo vomitar tudo. É horrivel, eu penso que cada dia vai ser diferente mas eu acordo a pensar em comida. Ninguem sabe, e eu preciso de ajuda nao aguento mais..

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  4. Olá, meninas.
    Eu sei bem como vocês se sentem, sou bulímica há 3 anos e minha família sabe há 4 meses. O mais triste é não ter forças para sair dessa. Até hoje eu não sei o que é ficar um dia se quer sem vomitar. Força, gente, nós vamos conseguir. Parabéns a autora do blog super esclarecedor e construtivo, faço das suas palavras as minhas. Um beijo para todas.

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